The Angel Experiment, de James Patterson


Ultimamente, tenho evitado ler YAs. Isso se relaciona seriamente com aquela minha teoria da falta de criatividade no cenário literário de YAs, que foi tema de um outro texto meu. ~link do post~  Então me propus que evitaria ler YAs por algum tempo, exceto por um que eu já vinha desejando por meses. O livro em questão era The Angel Experiment, o primeiro da série Maximum Ride, de James Patterson.
O que me despertou o interesse no livro foi a premissa: crianças que haviam passado por experiências genéticas e desenvolveram asas. Só isso me bastou para imaginar uma porrada de tramas possíveis. Particularmente, adoro ficção científica e decidi dar uma chance ao livro. No final do ano passado, lembro de ter visto uma notícia falando sobre os lançamentos nacionais mais esperados de 2013, e entre eles estava Maximum Ride, que teve os direitos de publicação comprados pela editora Novo Conceito, mas não tem uma data para o lançamento do livro.
Como qualquer outro leitor, eu já tinha cruzado com livros de James Patterson por aí. O cara é desses escritores de suspense e livros policiais que parecem lançar um livro novo a cada mês, e não sei se isso é uma coisa boa. Há boatos na internet de que ele use ghost writers – isso justificaria o monte de livros – e, se for verdade, é realmente vergonhoso. Seja como for, só soube desse tipo de boato depois de terminar de ler o primeiro livro de Maximum Ride.

A capa da minha edição. 


Corri atrás do livro com uma ansiedade incomum. Já fazia algum tempo que eu não ficava com tanta vontade de ler um livro. A falta de uma data para o lançamento da tradução me deixou ainda mais ansioso e decidi não esperar por ela. Numa livraria pequena aqui perto, onde eu menos esperava, encontrei o livro e o levei para casa sem pensar duas vezes. Quando comecei a ler, percebi que eu havia me enganado ligeiramente a respeito do que eu achava da série.
Primeiro, eu achava que Maximum Ride era o nome de algum projeto, ou aparelho científico, ou algo relacionado à história da série. Eu li as sinopses e via um personagem chamado Max. Quando estava, de fato, lendo o livro, descobri que Maximum Ride é o nome desse personagem e que ele é uma menina. Quem diabos se chama Maximum Ride? James Patterson poderia pensar em um nome mais legal para a coitada, né? Mas vamos lá. Max é a mais velha de um grupo de crianças que vivem sozinhas em uma escondida montanha. Eles são fugitivos de uma espécie de organização de pesquisa científica a que se referem como The School – A Escola.
Essa tal organização, que criou as crianças aladas, realiza testes nelas. Injetam substâncias nocivas e venenos em seus corpos só para ver como eles reagem a elas, os fazem passar por desafios físicos para obterem um gole sequer d’água. A Escola também criou uma segunda “raça” de mutantes, homens na maioria das vezes, que desenvolveram grande força física, mas que são capazes de se transmutarem em meio-lobos com apetite pelos alados. Essa segunda leva de mutantes foi mais aperfeiçoada do que a anterior, porque um deles, ao quarto ano de vida, já estava com um corpo adulto completamente desenvolvido. Esses outros mutantes, que Max e os amigos chamam de Erasers, os caçam a mando da Escola.
A história não é nenhuma narrativa excepcional. A trama se desenvolve a partir do momento em que a casa das crianças fugitivas é atacada por Erasers e eles conseguem capturar a mais nova deles, Angel, de seis anos de idade. A idade nesse livro é um problema. Max e Fang são os mais velhos, ambos com 14 anos, mas, em muitos momentos, eles agem como se fossem bem mais velhos. Gasman e Nudge também agem como se fossem bem mais velhos do que sua verdadeira idade. Iggy é o único que parece ter a mentalidade correta no grupo. Não me lembro de sua idade ser citada no livro, mas, segundo a Maximum Ride Wiki, ele teria 14 anos. Iggy é um dos meus membros favoritos do bando. Ficou cego quando a Escola estava fazendo testes para melhorar a visão dos espécimes. Ele e Nudge são os meus favoritos. Nudge é uma menina de onze anos que não para de falar em momento algum e que é engraçada em algumas situações da história.
No mesmo padrão de cenas de ação acontecendo em sequência umas às outras de Percy Jackson, o livro se desenvolve quando o Bando decide voltar à Escola, de onde eram felizes por terem escapado um dia, para resgatar Angel. A sede da Escola fica do outro lado do país, e é claro que eles fazem esse percurso voando. Embora o autor justifique que eles voem alto, acima das nuvens, achei difícil engolir que ninguém notasse gente diferenciada voando por aí.
Mais para o final do livro, temos ótimas cenas de ação. Uma situação conflitante acontece com Max, desafiando seu caráter como heroína da história. Gostei das lutas finais. Há uma ideia muito repetida mais para o fim do livro que parece um grande clichê dos anos 80-90, mas que me deixou curioso sobre seu real significado. Ser mais claro poderia revelar um spoiler. Se você gosta de YAs e está procurando algo para entreter a cabeça, para se divertir e arejar as ideias, eu lhe indico Maximum Ride. É um livro do qual eu esperava muito e que não é realmente grandioso, mas que, ao mesmo tempo, não me decepcionou. Continuo acreditando na premissa. Ao fim, entendi melhor o título. Comecei o livro imaginando que o tal “Angel Experiment” fosse o nome do procedimento pelo qual as crianças passaram para desenvolver asas, o que as deixariam com a aparência semelhante à de anjos, mas é mais plausível que o nome se refira às experiências pelas quais Angel passa na Escola. Essas experiências, aliás, a deixam um tanto quanto creepy.
No fim da edição, há alguns extras: postagens do blog de Fang e Nudge, sobre uma investigação que aconteceria entre o primeiro e o segundo livro; um preview de School’s out forever, o segundo livro da série; um pequeno preview de Wizard and Witch, publicado recentemente no Brasil como Bruxos e Bruxas.


0 comentários:

Postar um comentário